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terça-feira, 12 de maio de 2009

Vereador analisa a situação dos sem-teto em Rancharia

“A TRIBUNA Regional” entrevistou o vereador Osvaldo Flausino Júnior a respeito da ocupação da área da antiga FEPASA, no bairro da Estação, pelos cidadãos sem-teto. Como se sabe, já faz dois meses que se deu essa ocupação e até o momento não foi encontrada uma solução definitiva para resolver o problema da ocupação e, por consequência, da acomodação das famílias acampadas em seus próprios lares. Eis a entrevista na íntegra: 
TR- Vereador, como você vê o movimento sem-teto em Rancharia?
OFJ - O movimento dos sem-teto é uma resposta da população carente de nossa cidade à ausência de uma política séria, honesta, responsável e de resultado na área da habitação em nosso município. Nos últimos vinte anos não conseguimos quase nada na área habitacional. Outras cidades vizinhas, que tiveram competência administrativa na área habitacional, passaram na frente de Rancharia. Como exemplo, cito a cidade de Paraguaçu Paulista e alerto para a cidade de Quatá. O movimento é uma atitude louvável que tem meu incondicional apoio.  

TR - Você julga importante o movimento social como manifestação da difícil situação em que se encontra a política pública de moradia?
OFJ - É importantíssimo o movimento social. Todas as conquistas do povo são com sacrifício, muito suor e, às vezes, com derramamento de sangue. A conquista do povo sempre foi penosa. Sabe por quê? O povo não tem dinheiro para bancar campanha política de ninguém. Os governantes de plantão só valorizam o povo em época de eleição. Infelizmente, o político (mau) sabe que o povo já não tem nada e o pouco que ele der e/ou fizer o povo fica satisfeito. Por isso, ele dá as migalhas, o resto, a sobra e pensa que está dando muito; quando dá e faz, pois às vezes só fica na promessa. Você conhece a qualidade das casinhas populares de Rancharia? Uma vergonha: casinhas de papelão. 
TR - Você acredita que a ocupação pelos sem-teto da área da antiga FEPASA pode sensibilizar as autoridades responsáveis?
OFJ - Acredito. Nós precisamos dar um destino social decente para aquele imóvel. E o pessoal que ocupa aquele imóvel está consciente de que ali não se tornará um favela; ao contrário, eles querem um estilo de moradia popular bonito para valorizar o bairro da Estação, tão esquecido por várias administrações municipais. É responsabilidade de todos nós; só que quem detém o poder da caneta é o poder executivo. 
TR - Existe alguma conotação política nessa ação dos sem-terra?
OFJ - Verdadeiramente, não. Só apoiei o movimento porque acredito nos movimentos sociais como uma forma responsável de mudar a história. Eu fui o elo do movimento com o prefeito Iéia. Há quanto tempo aquele imóvel está abandonado? A situação daqueles barracões não pode continuar como está. Não vai continuar. As outras cidades que possuem os mesmos imóveis que os nossos conseguiram dar um destino social decente para eles.  Por que Rancharia não pode dar? 
 

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