Quanto mais vivo nesta cidade, mais me surpreendem as pessoas. Tantos sabem que há muito me interessa a fundação da Associação dos Advogados de Rancharia; a idéia vem de longe, desde quando o Doutor Nilton, de saudosa memória, ainda era vivo e meu irmão Antonio era o presidente da OAB. Nos últimos dias, em mais um esforço para viabilizar a AAR, fizeram-me chegar aos ouvidos que “era melhor adiar o projeto”, porque isso poderia desagradar o atual presidente da OAB, Manir Haddad. “- Quem sabe até ‘piorar sua saude’, com o desgosto!”. Só me faltava essa!
Apesar de entrever a imensa falta de pudor na manobra, tentei entender porque deveria agradar ou desagradar algum advogado a criação de um órgão associativo da classe como tantos que já existem, p. ex., na capital paulista (a prestigiadíssima AASP) e na vizinhança de Prudente, a nascente Associação dos Advogados de Pirapozinho, presidida pelo Doutor Ademir Alves. E explico: uma associação de advogados em nossa comarca poderia ser uma forma mais arejada de organização da classe, sem a obrigação do pertencimento compulsório e prévio à OAB, imposto pela lei. Todo advogado para militar tem que estar vinculado à OAB. Ademais, uma associação civil, do tipo ONG, poderia fazer coisas que lhe seriam peculiares, a depender exclusivamente do que for previsto em seus estatutos. Por exemplo, a futura AAR – Associação dos Advogados de Rancharia deverá receber doações (inclusive de um terreno) para fazer construir uma até aqui inexistente “CASA DO ADVOGADO”, que tantas comarcas menores já possuem. Poderia lutar com brio e eficácia pela melhor administração da Justiça em nossa terra, além de assegurar, com firmeza, a estrita observância das prerrogativas cidadãs dos Advogados e Advogadas, nos termos exatos da lei em vigor.
A verdade, porém, sabem-na todos, advogados, servidores forenses, até alguns juízes e promotores, é que a Advocacia ranchariense atravessa um momento delicadíssimo, para se empregar uma expressão branda: os advogados cotidianamente afogados numa rotina desgastante nos balcões do desnorteado e assoberbado Fórum local, sendo vítimas crônicas de ilegais e vergonhosas cancelas (para quem não sabe, obstáculos do tipo porta, portão ou porteira cuja ultrapassagem fique condicionada, por qualquer meio, ao decidir subjetivo de alguém), tendo que dar satisfação do que pretendem despachar com juízes a funcionários subalternos, quando não são (os Advogados e Advogadas) interpelados ignominiosamente em portas de gabinetes por servidores e até por magistrados, acerca “do que estão fazendo ali?” Ou, pasme-se, deixados, apalermados, em sala de audiência para “tratar com escreventes” assuntos pertinentes, por lei, à presidência do juiz (como aconteceu recentemente com um advogado antigo), na hora do cafezinho!!?? Chegou-se ao cúmulo de um serventuário da Justiça local ter ido, às portas da OAB, no encalço de um advogado, para lá interpelá-lo, em presença de mais de uma pessoa, acerca de circunstância escabrosa de um processo cível. E por ai vai! Se procurar, a lista de nódoas cresce, em desdouro à Advocacia ranchariense, à cidadania e à lei!
Então porque desagradaria alguém, supostamente interessado no progresso da Advocacia (até por dever de ofício!), a fundação da AAR? Recuso-me a crer que o colega Manir alimentasse tal sentimento menor e despropositado, publica ou privadamente. Por falar nisso e antes de mais nada, como pessoa temente a Deus, auguro votos sinceros de muita saúde e vida ainda mais longa ao Manir Haddad. Contudo, jamais vestirei carapuça que não me serve, porque sempre lutei (e luto) pelo progresso de minha terra, nos limites de minhas parcas forças, mas sem a pretensão de puxar o saco de quem quer que seja e sem medo de desagradar a quem quer que seja. Espero continuar, modestamente, lutando pela criação da Associação dos Advogados de Rancharia porque creio, assim, contribuir para o progresso da Advocacia local e regional, servir aos legítimos interesses da cidadania e, quiçá, participar da melhoria das condições de funcionamento do Judiciário em nosso município.
E não adianta a canalhice de esparramarem, à boca pequena (como gostam os medíocres), que participo de tais campanhas para promover-me pessoal e profissionalmente. Assim como aconteceu quando da luta pela instalação da Delegacia da Mulher, quando da luta contra a degradação da Baixada e que continua agora quando se luta pela instalação da Segunda Vara e pela construção de um prédio moderno para o Fórum local, pela implantação de um Museu Municipal, pela restauração da Advocacia ranchariense, etc., tudo o que fiz e faço tem raiz no interesse comunitário, como o povo desta terra pode atestar, para meu genuíno consolo e de minha família. Em finados programas da rádio comunitária, nos artigos escritos para os jornais da cidade, na anônima ou divulgada atividade, durante anos, na OAB local e estadual, na luta contra a degradação ambiental na cidade, na valorização da organização comunitária, entre outras atividades, sempre tentei que fosse assim. Jamais qualquer proveito próprio foi querido ou alcançado.
Mas é bíblico: ninguém pode servir a dois senhores! Opto pelo interesse comunitário!
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